segunda-feira, 16 de abril de 2007

.avaliando o dia.


"Se avaliarmos os nossos dias e os compararmos com o estado de espírito com que enfrentamos a vida, a primeira indicação de estranheza que sentimos por ontem estarmos felizes e hoje, por exemplo, abater-se sobre nós uma tristeza [in]explicável, sendo os dias todos feitos da mesma luz, porque nenhuma outra ciência compreendemos para além do que nos é dado sentir, sempre à margem das diferenças profundas que o nosso conhecimento não alcança, verificamos que a ordem das coisas que nos rodeiam se mantém inalterável, os ruídos quase se repetem e o sol passa sempre à mesma hora, e no lugar onde fomos felizes já não descobrimos nenhuma felicidade. Mas se os dias se apresentam iguais em nós, nesse espaço interior onde o pensamento altera a forma como nos sentimos em mudança, não é o tempo a causa mas a testemunha silenciosa das nossas ações, tendo em conta que o cenário é sempre o mesmo, como se alguém em sua casa confirmasse em consciência a disposição dos objetos numa sala, uma decoração eterna a fazer lembrar que uma rotina cobriu todas as imagens, e talvez dessa forma sintamos que a sucessão dos dias na nossa vida faça parte de uma sintologia que se processa no interior de nós mesmos."

sexta-feira, 6 de abril de 2007

.querendo atracar o meu navio no caos.


- É tão estranho como às vezes eu me inundo de um saudosismo estranho de querer de volta o caos dos tempos tortuosos...
- Nietszche dizia que eram nos momentos de doença que ele se sentia mais forte ou mais produtivo...

- Sabe quando você sente que quando você está descontente é que você é capaz de perceber a melodia mais profunda e sincera da vida? como se somente o olhar desesperado fosse capaz de ver a real beleza da ordem...

Para as outras pessoas, a idéia de ordem acaba caindo no abismo do habitual, perdendo a essência dos traço únicos que compõem a sua forma.

"Eu me odiaria se eu deixasse escapar o mínino da beleza que já apreendi nos meus dias conturbados. Eu me odiaria se eu acatasse o qe os espiritos medíocres vivem vomitando. Eu me odiaria se eu perdesse a poesia em troca da rotina."

- Não tenho feito nada de acordo com o habitual... embora tenha disfarçado e vestido de compromisso algumas coisas... porque algumas pessoas não entendem que você pode está bem e feliz sem ter que se prender...

- E hoje estou fazendo devagações de maneira louca e sem parar para pensar... e pensando bem eu nem deveria pensar no que as pessoas entendem ou deixam de entender...
- E foi pra isso que criei esse blog... pra me libertar do achismo... e me achar... e me perder nas minhas palavras...

terça-feira, 3 de abril de 2007

.a vida é tão rara.


[ "Meu caminho nesse mundo, eu sei
Vai ter um brilho incerto e louco
Dos que nunca perdem pouco
Nunca levam pouco..." ]

Nos questionamos sobre a raridade e temporariedade da vida... o medo da lucidez e o grito de rebelião contra o nada...




["O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que é quer da gente é coragem"]

NÃO ESPERE...

"Não esperar até que você termine a faculdade;
Até que você volte para a faculdade;
Até que você perca 5 quilos;
Até que você ganhe 5 quilos;
Até que você tenha tido filhos;
Até que seus filhos tenham saído de casa;
Até que você se case;
Até que você se divorcie;
Até sexta à noite;
Até segunda de manhã;
Até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova;
Até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
Até o próximo verão, outono, inverno;
Até que você esteja aposentado;
Até que a sua música toque;
Até que você tenha tomado seu drinque;
Até que você esteja sóbrio de novo;
Até que você morra...

domingo, 1 de abril de 2007

★ D ﻉ c i f ґ λ - m ﻉ


[ "Morri, e renasci de minhas cinzas.
Porque eu sempre andei tentando ser quem era, mas não conseguia.
Tentava sempre impressionar os outros, tinha conversas inteligentes, agradava meus pais e ao mesmo tempo usava todos os artíficios para conseguir fazer as coisas que gostava.
Eu sempre abri meu caminho com sangue, lágrimas, força de vontade - mas entendi que escolhi o processo errado.
O meu sonho não requer nada disso, apenas que eu me entregue a ele, e morda os dentes se achar que estou sofrendo, porque o sofrimento passa.
Já lutei por coisas que não adianta lutar.
Como aMoR, por exemplo: ou a gente sente, ou não há força no mundo que consiga provocá-lo.
Podemos fingir que amamos. Podemos nos acostumar com o outro.
Podemos viver uma vida inteira de amizade, cumplicidade, criar uma família, ter sexo todas as noites, ter orgasmos, e mesmo assim sentir que há um em tudo isso um VaZio PaTétiCo, que alguma coisa importante está faltando. (...)

Hoje compreendi o que quero:
QUERO TUDO.
Quero a selvageria e a ternura.
Quero incomodar os vizinhos e procurar acalmá-los.
Não quero mulheres na cama, mas quero homens verdadeiros, que me amem... Quero despertar minha energia reprimida, fazer coisas simples para isso... como fazer amor, por exemplo. Ou andar na rua, repetindo "eu estou aqui e agora".
Nada de especial, nenhum ritual secreto (...). Como se inicia(...) já disse, pelos símbolos.
Comece fazendo o que quer, e tudo mais lhe será revelado."
]

[ A bruxa de Portobello, Paulo Coelho ]